Sexta-feira, Julho 24, 2009
Sexta-feira, Março 20, 2009
O robô
Sentado à janela dum ônibus
Esperando pra ver
De uma nova coisa, o amanhecer,
no coração de silício.
De algum programa vem
o medo de olhar pras praias
Sem entender a mensagem das ondas.
Quer saber querer o quanto antes,
Pois um dia há de quebrá-lo
A verdade mais áspera.
Seus restos vão viajar calados
Até o fosso das desvontades,
Onde as máquinas apodrecem.
As plantas por lá crescem
Com sarcástica naturalidade.
Esperando pra ver
De uma nova coisa, o amanhecer,
no coração de silício.
De algum programa vem
o medo de olhar pras praias
Sem entender a mensagem das ondas.
Quer saber querer o quanto antes,
Pois um dia há de quebrá-lo
A verdade mais áspera.
Seus restos vão viajar calados
Até o fosso das desvontades,
Onde as máquinas apodrecem.
As plantas por lá crescem
Com sarcástica naturalidade.
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Enche o tanque.
-Amigo, enche o tanque pra mim.
-Boa tarde, Senhor. Agora não vai dar pra mim... ops, pra eu... quer dizer...
-Giscarde, posso te chamar assim? Li agora, no crachá. Você acaba de me ajudar numa questão importante.
-Hoje estava pensando na vida. A correria é grande, mas sempre sobra um tempo pra gente meditar um pouco, não é mesmo?
-Minha filha fez 14 anos ontem. É muito esperta e tem uma língua afiada. Puxou à mãe. Queria comemorar o aniversário com algumas amigas numa boate. Naturalmente, eu não permiti. Já tem um tempo, ela vem me deixando mais preocupado do que o normal. Não estuda mais, não vê mais documentários na tv. Largou os cursos e está dormindo muito. Está ficando cada vez mais apática.
-No final das contas, percebi que, como ela, tinha poucos motivos pra não ser apático e que minha vida me insatisfazia de muitas formas. Era professor e nunca tinha feito outra coisa. De uns tempos pra cá, vinha me sentindo muito cansado. Acabei me demitindo esta manhã. Dei aula por mais de 15 anos, sempre estive satisfeito com minha cultura e, confesso, cultivava certos preconceitos. Jamais teria notado muitos deles sem...
-Com licença, ficou em 68 reais e 50 centavos.
-Toma aqui. Pode ficar com o troco.
-Obrigado.
- Enfim... por motivos que minha consciência ainda não tem acesso, devorava convicções que comprava sem mesmo olhar para os rótulos. Marginalizava as pessoas que não queriam praticar o que eu entendia como “culturação”. Desde que me conscientizei disso, comecei a acreditar que minha vida não tinha um conteúdo real e que, por causa disso, não tinha valor como pessoa.
-Agora, depois do que você disse, percebi que cada pessoa tem seu valor independente do que é um "valor" pra ela. Entende o que eu digo?
-é...
-Sua chave, senhor.
-Boa tarde, Senhor. Agora não vai dar pra mim... ops, pra eu... quer dizer...
-Giscarde, posso te chamar assim? Li agora, no crachá. Você acaba de me ajudar numa questão importante.
-Hoje estava pensando na vida. A correria é grande, mas sempre sobra um tempo pra gente meditar um pouco, não é mesmo?
-Minha filha fez 14 anos ontem. É muito esperta e tem uma língua afiada. Puxou à mãe. Queria comemorar o aniversário com algumas amigas numa boate. Naturalmente, eu não permiti. Já tem um tempo, ela vem me deixando mais preocupado do que o normal. Não estuda mais, não vê mais documentários na tv. Largou os cursos e está dormindo muito. Está ficando cada vez mais apática.
-No final das contas, percebi que, como ela, tinha poucos motivos pra não ser apático e que minha vida me insatisfazia de muitas formas. Era professor e nunca tinha feito outra coisa. De uns tempos pra cá, vinha me sentindo muito cansado. Acabei me demitindo esta manhã. Dei aula por mais de 15 anos, sempre estive satisfeito com minha cultura e, confesso, cultivava certos preconceitos. Jamais teria notado muitos deles sem...
-Com licença, ficou em 68 reais e 50 centavos.
-Toma aqui. Pode ficar com o troco.
-Obrigado.
- Enfim... por motivos que minha consciência ainda não tem acesso, devorava convicções que comprava sem mesmo olhar para os rótulos. Marginalizava as pessoas que não queriam praticar o que eu entendia como “culturação”. Desde que me conscientizei disso, comecei a acreditar que minha vida não tinha um conteúdo real e que, por causa disso, não tinha valor como pessoa.
-Agora, depois do que você disse, percebi que cada pessoa tem seu valor independente do que é um "valor" pra ela. Entende o que eu digo?
-é...
-Sua chave, senhor.
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009
Como lidar com as pessoas?
Como sabemos, em geral, a vida acaba agrupando as pessoas. Cada grupo convenciona o que valorizar e desvalorizar. Na maioria dos casos, os desvalores estão no outro grupo. E, geralmente, você está no que as pessoas entendem como "outro grupo", já que você não pertence a nenhum (não que você queira pertencer). Sabemos que é difícil controlar todos os aspectos relevantes da vida. Mas não podemos desistir dela, por mais por mais medíocre que nos prove ser. Então, lançando mão de nossa sabedoria, propomos uma jornada de crescimento na forma de um manual que ensina como lidar com os membros de cada um desses grupos. Com o primeiro fascículo em mãos, você já estará preparado para lidar com uma grande variedade de pessoas. Sua vida irá melhorar num piscar de olhos.
Assinar:
Postagens (Atom)